Porto Alegre, 13 de novembro de 2019

Cursos

Corpo, ética e clínica: os sujeitos sacrificáveis na era da necropolítica

Programa:

1-  Introdução: corpo, ética, sujeito, biopolítica necropolítica e vidas sacrificáveis

2- A necropolítica no fim dos tempos

3- A catástrofe do capitalismo ou como sobreviver ao fim do mundo

4-Tecnopolíticas da vigilância e a subjetividade hackeada

5-Da morte da clínica à clínica da morte: dos corpos dóceis a administração dos corpos livres


A proposta do curso é abordar temas transversais entre as questões contemporâneas a respeito de saúde mental, transexualidades, feminismos, racismo e violência acoplados à psicologia, à filosofia e a psicanálise, tendo como ponto de partida o conceito de necropolítica. Propomos um convite ao aprofundamento das graves questões éticas e clínicas que envolvem o engendramento de sujeitos do genocídio, as vidas sacrificáveis. Nosso mundo contemporâneo é precedido pelo que o historiador Eric Hobsbawn compreende como o "Breve século XX", momento marcado pelas maiores guerras de extermínio de massa da história documentada, tendo como principal evento a Segunda Guerra Mundial e a política de "solução final" nazista, que culmina no extermínio programado e calculado de seis milhões de judeus, além das baixas ocasionadas pela guerra tradicional e as catástrofes atômicas de Hiroshima e Nagasaki. 
As guerras massivas e industriais, aliadas às epidemias de AIDS e Ebola, as guerras étnicas da África e do Oriente Médio, a guerra do tráfico de drogas no México, Brasil e Colômbia e a questão Palestina, levaram a filósofos como Giorgio Agamben e Achille Mbembe a considerar o conceito de "Sujeito do poder e biopolítica" de Foucault insuficiente, acabando por o ultrapassar, adicionando ao cerne de tal pensamento foucaultiano o semblante do conceito de "Homo Sacer" (Agamben data), esta configuração do sujeito de um novo ordenamento jurídico do Estado de Exceção, e do conceito de necropolítica, que envolve o fim da cultura humana e o controle da vida (biopolítica) e a ascensão da política do genocídio. 
Segundo o filósofo Marildo Menegat (2019) o capitalismo chega ao seu ocaso pelo fim do trabalho e pelo esgotamento dos recursos do planeta, o que faz com que os detentores do capital não invistam mais na produção e sim na rapina. Tal estratégia inclui a tomada do poder usando a imensa maquina de propaganda indireta nas redes sociais. Nos ultimos anos, políticos conservadores chegaram ao poder nas grandes democracias representativas do mundo com o apoio de uma grande empresa de marketing político nos EUA, Cambridge Analitica, cujo objetivo é construir uma espécie de negativo do que foi a Internacional Socialista do século XIX: fomentar a xenofobia, os chamados "valores da família tradicional", e combater aquilo que chamam de "politicamente correto" sob a premissa de um governo livre da sombra comunista e de amarras ideológicas. Na lógica desta nova direita internacional, chamada “The Movement” cuja principal característica é o grande poder de disseminação de suas ideologias pelas redes sociais (lançando mão inclusive de recursos avançados de psicometria associada aos algoritmos de busca em redes sociais). A utilização de recursos pelo Estado para combater o machismo, o racismo, a LGBTfobia, o desemprego estrutural, o extermínio de povos indígenas, os desastres ambientais e demais políticas afirmativas é vista por essa "nova direita como um desperdício de dinheiro e constitui matéria de pura especulação ideológica de esquerda, ainda que países como o Brasil sejam recordistas mundiais em homicídios de jovens negros por arma de fogo, violência contra mulheres (o que inclui abortos clandestinos, espancamentos, inferioridade salarial e feminicídio) e transexuais, e que permaneça no quadro de países nos quais a AIDS é uma epidemia e o fantasma da sífilis volta a assombrar os serviços de saúde. 
Como solução para tais problemas, os governos acenam com uma tênue defesa aos "valores cristãos da família tradicional", a um suposto "liberalismo econômico e conservadorismo nos costumes", a defesa da abstinência sexual e das drogas, a ideia de meritocracia (ou seja, de uma suposta e questionável igualdade de condições entre homens, mulheres, brancos, negros, etc) e o discurso de que aquele que sofre violência sistêmica - no nível em que for - se o típico vitimista. 
O objetivo deste projeto é entrar no contrafluxo de tais políticas e, a partir do debate, da leitura de textos fundamentais e contemporâneos e da criação de um espaço pedagógico livre e de convivência, capacitar e empoderaros estudantes da universidade pública para enfrentar a onda de violência conservadora e retomar a ação política que proteja as populações alvo das perniciosas políticas de genocídio do mundo contemporâneo.


Textos de apoio:

Agamben, G. “Homo Sacer”,

Agamben, G. Estado de Exceção

Butler, Judith “Corpos em Aliança e a política dasruas”

Mbembe “Necropolítica”

Foucault, M.  Onascimento da biopolítica

Foucault, M “Vigiar e Punir”

Hobsbawn, Eric “A era dos extremos.

Zizek, S.“Bem-vindo ao deserto do Real”

Zizek, S.“Vivendo no fim dos tempos”

Bauman, Z. “Modernidade e Ambivalência”

Giddens, A. “As consequencias da modernidade”

Gleyse, J. “Ainstrumentalização do corpo”

Preciado, PaulBeatriz “Manifesto contrassexual

 Testojunkie, de Paul Beatriz Preciado

 O nascimento da Clinica, Michel Foucault

Menegat,Marildo, “ A crítica do capitalismo em tempos de catástrofe”

FernandaBruno, Bruno Cardoso, Marta Kanashiro, Luciana Guilhon, Lucas Melgaço“Tecnopolíticas da Vigilância, perspectivas da Margem”


Ministrante: Dr. Fábio Dal Molin.


Investimento: R$ 130,00 para profissionais e R$ 100,00 para estudantes.


Inscrições: contato@pichonpoa.com.br e (51) 99865 7080 WhatsApp com Nelma.


Local: Rua João Guimarães 31, sala 504, quase esquina Protásio Alves.

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